quinta-feira, 17 de março de 2016

Meu Brasil, brasileiro...



Por muito que pense e leia não consigo entender estas justiças. Lá, no Brasil, tal como cá, umas cabeças iluminadas que nunca passaram pelo crivo do eleitorado e que exercem funções por indução (concurso inicial e depois caminho interno...), trabalham (manipulam) a justiça a seu belo-prazer e arrogam-se a afirmações de independência e autonomia.

Lá como cá, suspeito que os indiciados ou quase, não terão as mãos completamente limpas mas é apenas uma suspeita e isso não os transforma automaticamente em réus.

Suspeitarem de mim e (a justiça) divulgarem essas suspeitas é grave e poderá ser complicado apenas para o meu pequeno "inner circle" mas numa figura com a dimensão social de Lula ou Sócrates é quase acabar com eles...

A dimensão de ambos os casos é absolutamente diferente. Em Portugal a situação Sócrates levanta a suspeita de ataque com envolvimento politico/partidário (por vários motivos: Portas, Cavaco, etc.) no Brasil é-o ostensivamente.

Juízes que decidiram (e decidem...) no caso participam e fomentam a convocação de manifestações. Opinam nas redes sociais. Fazem ainda mais, divulgam ostensivamente conversas telefónicas da Presidente da Republica com o anterior detentor do mesmo cargo, mesmo que estas conversas nada digam de especial mas marcam apenas o poder de alguns - neste caso o procurador ostenta o "quero" posso e mando"... e defende a sua legitimidade com a sua capacidade de elaborar em autonomia...

As grandes empresas de comunicação social tomam ostensivamente partido do lado do que eu chamo "os brancos". "Os brancos" porque nas imagens que vejo das manifestações não consigo distinguir ninguém mais escuro do que um branco depois de uma manhã em Copacabana ou Guarujá...

A situação é de claro golpe de estado e tal teve início já antes da última eleição de Dilma. Mesmo a sua eleição não impediu a dinâmica da comunicação social "branca" e dos partidos da direita brasileira. Nunca pararam e a legitimidade do voto e da constituição foi mandada às malvas pela luta partidária. A corrupção é um meio para atingir este fim. E o mais curioso é que o representante dos "brancos", Aécio, é também ele acusado de corrupção mas aqui os média tentam passar ao lado...

Como a corrupção é moeda corrente no país todos nesta altura se calam e se afastam como ratos de um navio que se afunda não vão eles apanhar com estilhaços...

Tenho a esperança que o tempo das ditadura militares se tenha esgotado num continente já muito por elas martirizado. Que os militares se mantenham quedos esperando que a sociedade civil consiga resolver a situação. Que o dramatizar da mesma me faça ter muito receio do inevitável caminho das democracias sul-americanas quando em crise é quase inevitável mas não é isso que a direita pretende? Se não é, parece!