segunda-feira, 23 de maio de 2016

ESQUERDA, DIREITA E EDUCAÇÃO (E SAÚDE E SOCIAL...)



Em termos básicos um dos principais factores de divisão da direita e esquerda é a aceitação, ou não, da utilização dos impostos de cada um por outros que não eles próprios. Ou seja, os impostos que cada um paga devem, o mais possível, servir para usar em actividades ou necessidades que os próprios contribuintes directa ou indirectamente tenham.

Por exemplo: eu sou de esquerda e não me importo de pagar mais impostos para que os mais carenciados possam usufruir de apoios além dos que podem obter por si próprios. Uma pessoa de direita entende que os seus impostos não devem servir para apoiar quem não tem capacidade por si só de atingir determinados objectivos, digamos - para não ser muito agressivo, mais mundanos.

Ora, no caso agora decorrente, a direita defende com unhas e dentes os subsídios para o ensino privado o que nos coloca a questão: fá-lo porque afinal estão a favor da subsidiarização dos desprotegidos ou por outro motivo?

Não, não está a favor da subsidiarização nos fundamentos que a esquerda defende - a da universalidade. Não, não está a favor da subsidiarização das famílias e dos alunos - nos apoios sociais. Está obviamente a defender a subsidiarização dos colégios privados...

A hipocrisia da direita é incrível. Ataca os benefícios sociais dos mais pobres (os que mais pagaram com a crise...) levando-os à mendicidade, mas suporta despudoradamente as instituições nascidas de forma ilegal e muitas vezes por si fomentadas através de elementos vindos directamente da gestão estatal da educação...

Os padrões da direita mudam com uma facilidade inacreditável. "Não se deve viver além da sua capacidade de produzir" serve para o cidadão ou cidadã mais "pequenino" mas para alguns arranja-se forma de a sua produção, artificialmente criada ou aumentada, merecer automaticamente a existência...

Acresce a tudo isto que esta luta fomentada pela direita é, para os que defendem o estado social, extremamente perigosa. Aqui se poderá dar início à tão defendida panaceia da direita - a "livre-escolha", não apenas na educação mas, se vencer, maior motivo para ser aceitável também na saúde e na assistência social.

Há que recusar semelhante ataque ao estado social que a grande maioria do povo português defende e... suporta!