sábado, 24 de outubro de 2015

Estará a Alameda de volta????

É inacreditável o que se tem assistido na análise pela direita dos resultados eleitorais e das suas consequências. É inacreditável o poderio demonstrado por essa mesma direita nas redes sociais e nos meios de comunicação. A intoxicação é tal que já se assiste algum tipo de apelo ao levantamento popular contra a esquerda e a sua solução governativa.

Neste momento assiste-se a um ressurgimento do movimento semelhante ao 28 de Setembro mas de sinal contrário. Algumas vozes chegam a afirmar que desempoeiraram as mocas de Rio Maior e fazem já ameaças (nada veladas) a quem se lhes opõem...

A esquerda assiste (por enquanto...) com algum prazenteirismo a estes aparentes fait divers mas a coisa poderá tomar proporções inimagináveis, se não levada a sério.

Basta ler o artigo de José Pacheco Pereira, "Declaração de guerra", no "Público" de hoje, para se entender que as motivações e a organização da direita não deverá ser desprezada.

Esta mensagem poderá parecer algo dramática e alarmista ou mesmo catastrófica mas parece-me muito claro que o discurso de indigitação de Passos Coelho por Cavaco Silva quase se assemelha a um apelo às armas e, vendo alguma reacção no terreno, isso deixa-me muito inquieto!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

CAVACO E O ULTIMATUM INGLÊS

Em Janeiro de 1890, na sequência do ultimatum inglês, O rei D. Carlos reúne à pressa o Conselho de Estado e responde de imediato: "Na presença de uma ruptura iminente de relações com a Grã-Bretanha e de todas as consequências que dela poderiam talvez derivar, o Governo de S.M. resolveu ceder às exigências formuladas (...) e vai expedir para o Governo Geral de Moçambique as ordens exigidas pela Grã-Bretanha".

O comunicado de ontem de Cavaco Silva é um documento que se lhe pode comparar. Cavaco entende que os partidos têm de seguir rigorosamente, sem qualquer tipo de questionamento, os tratados internacionais e o medo associado ao seu rompimento e, sustentando-se nesses mesmos tratados internacionais*, limita, de forma lamentável, a democracia portuguesa e a vontade do povo português.
Existem portugueses (através dos partidos que os representam) que não estão, na opinião de Cavaco Silva, na sua capacidade politica plena devido à existência desses acordos com os quais discordam, mesmo que essa discordância seja por eles suspensa por motivos superiores (entendem eles...) e exista outro partido tutelar desta suspensão e que impedirá, em absoluto, qualquer rompimento unilateral desses acordos.

Ou temos uma lamentável posição de submissão externa idêntica ou um pura desculpa para manter a sua "seita" no poder. Apesar de tudo, aposto nesta última...

* - impostos pelas elites politicas e nunca directamente sufragados pelo voto.