Em Janeiro de 1890, na sequência do ultimatum inglês, O rei D. Carlos reúne à pressa o Conselho de Estado e responde de imediato: "Na presença de uma ruptura iminente de relações com a Grã-Bretanha e de todas as consequências que dela poderiam talvez derivar, o Governo de S.M. resolveu ceder às exigências formuladas (...) e vai expedir para o Governo Geral de Moçambique as ordens exigidas pela Grã-Bretanha".
O comunicado de ontem de Cavaco Silva é um documento que se lhe pode comparar. Cavaco entende que os partidos têm de seguir rigorosamente, sem qualquer tipo de questionamento, os tratados internacionais e o medo associado ao seu rompimento e, sustentando-se nesses mesmos tratados internacionais*, limita, de forma lamentável, a democracia portuguesa e a vontade do povo português.
Existem portugueses (através dos partidos que os representam) que não estão, na opinião de Cavaco Silva, na sua capacidade politica plena devido à existência desses acordos com os quais discordam, mesmo que essa discordância seja por eles suspensa por motivos superiores (entendem eles...) e exista outro partido tutelar desta suspensão e que impedirá, em absoluto, qualquer rompimento unilateral desses acordos.
Ou temos uma lamentável posição de submissão externa idêntica ou um pura desculpa para manter a sua "seita" no poder. Apesar de tudo, aposto nesta última...
* - impostos pelas elites politicas e nunca directamente sufragados pelo voto.
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