segunda-feira, 19 de junho de 2017

Incêndios e especialistas...


Serei só eu?

Fico pasmado com a facilidade que especialistas e aspirantes falam de ordenação do território como se este fosse uma folha de papel em branco e sem gente, cultura ou sentimento.

Pelo que tenho ouvido Portugal estará bem se as estradas sejam elas nacionais, regionais, locais, caminhos ou veredas, parecerem pistas de aeroporto. 10 metros para cada lado e não se fala mais nisso.

Quanto às habitações sejam no Minho, Trás-os-Montes, Pinhal Litoral ou Interior, Ribatejo ou Algarve passarão a ser, todas elas, Montes Alentejanos com os 50 metros da ordem de deserto à sua volta.

As povoações voltarão aos tempos medievais e terão 100 metros de terreno árido (talvez permitam um relvadinho...) a toda a sua volta permitindo a rápida detecção da chegada do inimigo - normalmente espanhol - que agora até nos manda aviões...

Tudo isto afirmado com a maior das certezas e credibilidade...

Todos se esquecem das queixas da população: perderam a electricidade, a água, as comunicações e os bombeiros não apareceram... Se isto funcionasse talvez conseguissem impedir o avanço das chamas. Mas isto não interessa nada...

Fornecer ou subsidiar geradores, poços, bombas de água às populações está fora de causa. Fornecer equipamentos básicos de combate a incêndios mesmo a pequenos aglomerados populacionais nem se põe.

Fechem-se bancos, correios, tribunais, centros de saúde, escolas. Feche-se tudo isto e depois peçam às pessoas que se mantenham em montes alentejanos ou aldeias despojadas do verde que nós todos adoramos que elas entenderão...

Até acredito que seja o passar dos anos numa luta inglória que tolde a visão à maior parte deles mas que me parecem fora da realidade, parecem!

Que os mortos descansem em paz!

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