Antes de mais uma manifestação de interesse: sou um grande admirador de José Sócrates como governante e apoiei e apoio, com algumas excepções, as politicas que implementou enquanto tal. Sou, também, claro defensor da lei e é devido, fundamentalmente, a este principio que tenho manifestado a minha opinião. É por ser José Sócrates que opino? Se fossem outros estaria silenciado? Talvez, mas não deixa de ter a pertinência da minha opinião.
Sócrates tem todo o aspecto de preso efectivo e não preventivo. Sócrates parece ter sido já julgado e condenado. Ora vejamos: ao contrário de muitos, Sócrates encontra-se isolado do mundo estando impedido de fazer a sua defesa mediática enquanto outros interesses vão disseminando informações, falsas ou reais - vá-se lá saber, sobre o seu caso. Do segredo de justiça estamos conversados - seja ele lá para quem for, mas quem invariavelmente perde é o arguido e isto, para se fazer justiça, está proibidíssimo de acontecer.
Sócrates, como qualquer arguido, padece desta disseminação avulso de verdades e inverdades como se fossem todas verdades insofismáveis e sem se poder defender "protegida" que está a justiça pelo seu segredo e, agora, pela proibição de dar entrevistas...
Tanto quanto sabemos, pelo menos eu, pelo que vou lendo e ouvindo, Sócrates é acusado de:
1. Suspeita de um amigo (ou conhecido, ou corruptor) ter dinheiro que será pertença (ou por direito) de Sócrates - assim uma espécie de corrupção a prestações, "eu faço-te agora o jeito e tu pagas-me aos bochecos". É uma nova dinâmica da coisa - até nisto Sócrates é inovador...
2. Corrupção, pois o amigo (ou conhecido, ou corruptor) anda a pagar prestações, portanto...
3. Branqueamento de capitais - obviamente com o dinheiro do amigo ou sejam, as prestações...
4. Fraude fiscal - idem a anterior.
O mais estranho deste caso é que ao contrário da maioria de casos idênticos a corrupção é o primeiro a ser identificado e depois vem o "siga-se o dinheiro" - caso dos submarinos, por ex.. Conhece-se a corrupção mas depois não se consegue seguir o dito e arquiva-se! Deixa de haver corrupção... Acresce que este é o procedimento normal devido à actual lei do sigilo bancário que apenas permite a sua quebra em caso de indícios fortes de crime mas como neste caso o crime apenas é referido depois de se saber da existência do dinheiro e da nova versão milionária da "mala de cartão"...
Ir ao dinheiro. Esta é a teoria dos defensores da rejeitada (por presumível inconstitucionalidade) alteração à referida Lei. Teria, efectivamente, algumas vantagens: ir-se-ia aos sacos azuis e contas ocultas das empresas, dos empresários, dos cidadãos e obrigam-se a justificar onde gastaram o dinheiro não declarado. Mas a que custo?
Neste caso, como em muitos outros, confesso que estou sedento de justiça, dê lá ela por onde der, mas que este caso está cada vez mais estranho, está e a responsabilidade é de todos nós...
Fernando Lourenço Gomes
20.12.2014
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